sábado, 4 de julho de 2009

Sinais (2) O rosto

Ela não consegue se concentrar, enfrenta o trânsito ainda pensando na forma do rosto.
Observa os transeuntes e um cidadão de óculos e cabelos escuros lembra aqueles traços que, além de familiares, traziam tanto amor...tanto amor,quanto amor.
Insiste em imaginar como seria o rosto daquele com o qual ela dividirá casa, cama, dinheiro vida e terá filhos.
Não! A mesma velha memória chega.Ela tenta apagar o arquivo e buscar outro rosto, mas nada vem.Sabe que somente ele seria o homem com o qual ela se dividiria, somente ele a preencheria, ele, somente ele e mais ninguém.
Acha que foi uma memória onírica e balança a cabeça de forma a negar a si mesma uma verdade.Atenção, o sinal vai abrir.
Existe ele, o homem que poderia ser o seu 'someone', 'scene', que a protegeria de tudo que já houvesse visto.
Não, é impossível, mais uma vez se vê a sonhar.Mas seu coração ardente diz: não é impossível, ele ainda habita seu ser.
Desacreditada e infeliz, apoia a cabeça no volante, olha mais uma vez para fora do carro, para a rua movimentada que a cerca.Sente-se protegida lá dentro.Olha para baixo, quer chorar.
De repente, sente o ímpeto de olhar para fora novamente e encontra-se diante do rosto que havia tentado concatenar e fugir (em vão) há alguns minutos.
Está ali, passa na calçada, é real.É o seu rosto, meu amor, minha alma!Você está aqui!
Ela buzina, acena, tira os óculos de sol e oferece seu melhor sorriso.
O rosto retribue e se vai, enquanto fala ao celular com o tio.


Somos nós. Longe e perto, assim, assim.É sempre assim, mas não será sempre.

Ainda amo-te.

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