quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Viagens e rotinas (Parte 2 )

Eu falava sobre Lygia Fagundes Telles e sua obra, Durante Aquele Estranho Chá, que tem me feito companhia ultimamente. Eu sempre soube que gostaria dela, sempre. A primeira vez que ouvi seu nome foi pela Juliana Lins, uma universitária da USP, que vinha esporadicamente para Taubaté, ao dentista. Eu, num stress total naquela época, vestibular, FUVEST, SOESP (local que eu trabalhava), uma gastrite recém-chegada, não pode procurá-la, naquele momento, não. Mas sabia que iria encontrá-la. E foi exatamente assim que ocorreu: primeiro ano de faculda, aula de Teoria Literária, Lygia surgiu convidativa em forma de um conto, apresentado pela professora de Teoria Literária, a mais chata também, VENHA VER O PÔR-DO-SOL. Eu fui e me apaixonei por cada linha, cada palavra da Lygia.
Hoje, já me sinto íntima e ao ler durante o chá, identifico-me a cada fonema usado, na verdade, eu me assusto, parece que sou eu quem escrevo, à essa tal de moda proustinana (ver Marcel Proust mais tarde).
Eu também acredito que não vamos até os livros e filmes; eles vêm até nós. Foi assim que aconteceu, numa segunda-feira de manhã, fria e cinzenta, eu vou à biblioteca com o Professor Antonio, buscamos por Vinícius de Moraes e Cecília Meireles. Mas Lygia chega antes e me convoca para esse chá... Algo estranho também ocorre: entra tantas prateleiras, o professor lança um elogio, diz que a biblioteca estadual está rica, repleta de romances preciosos e arrebata-me tirando Budapeste da prateleira...quanta coincidência!!! Lembrei-me de você nesse instante.
Estou tomando o chá e não quero que acabe, não...não é um chá Inglês, é brasileiríssimo e entre chás, entrelinhas e estrelinhas, vou me deliciando e ...

embora o passado não nos abandone nunca, não possa ser posto de lado, é uma roupa que não se veste mais. Também ouço elogios à velhice e sabemos que quem os faz, esse não pode mesmo amar a vida, não pode mesmo. E eu amo a vida e viver me faz bem e sei que um profeta de asas não tem mesmo nenhuma obrigação de acertar sempre (nem de errar sempre). Nenhuma obrigação de ser coerente nessa trajetória irregular. Por falar em passado, achamos que o Brasil se interessa muito pouco pelo seu próprio passado e Hilda Hilst afirma que fidelidade é coisa de cachorro e por isso passou grande fase de sua via entre eles, depois vieram os gatos. E você? Passou a maior fase de sua vida entre cachorros ou gatos? Eu? Sempre com os cachorros, mas os gatos sempre passam por nós, afinal, estão soltos por aí.
Fidelidade também me lembra amizade;e agora penso que o importante na amizade talvez seja apenas isso, um tem que achar graça no outro porque nessa bem-humorada ironia está o sal da vida. Quando essa graça desaparece é porque a amizade acabou. Já viu o fim de uma amizade? Eu já...não adianta colocar tempero e especiarias trazidas da Índia...já acabou!
Amizade também me lembra solidão, que às vezes me faz tão bem..mas é invitável a pergunta: Por que está só? Hum..talvezz porque eu não tenha capacidade de pensar em nada agora e vou copiar Freud: Afinal, o que querem as mulheres??? Alguém sabe? Para ser sincera, não sei e nem quero saber!!! (Com ênfase). Muitos dizem uma coisa para mulheres que querem ser letradas: quem quer mulher que sabe latim?ou Todo homem tem medo de mulher inteligente, minha filha.Sem saber, é claro, que ao seu modo, já dizi o poeta Baudelaire : Aimer des femmes intelligentes est un plaisir de pédéraste...(aham..) Também falam: você pode se casar mais tarde ( minha avó seeeeempre fala isso!), filha, ou não se casa nunca, e daí? A partir disso, exemplificam com a disciplina do amor. (mas o amor é disciplinado? desde quando??). Ainda sobre as mulheres inteligentes, eu não gosto das feministas de plantão, mas... sabe quem foi o primeiro a defender as mulheres?? Quem? Jesus! A começar por aquela pecadora que lhe lavou os pés e os enxugou com os cabelos; a mulher que seria apedrejada por adultério. E a quem Jesus apareceu pela primeira vez após a Ressurreição? Segundo o Evangelho de Mateus, foi para duas mulheres!!!
Mas por que escrevo sobre isso? Talvez pelo sonho..por ele é que vamos,por ele me movo; haja ou não frutos, é pelo sonho que vamos. Além do mais, o ser humano não tem explicação..
Machado de Assis chega com seus triângulos e seu ateísmo confesso. O chá está acabando, vou colocar mais água na chaleira.

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