segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cidade Refugo


Insônia

Ela está sozinha na sala. Atrás daquela porta um novo mundo começa a surgir. É um mundo chamado refugo. Naquele momento é tudo que ela mais precisa: um refúgio, mas não o encontra. As mentiras, falsidades e meias verdades a assombram a todo o momento. As pessoas tentam se esconder; outras querem ser vistas pela sociedade, mas não conseguem.
Ele mentira para ela, não negava, mas desculpava-se.
Ela não aceitava, orgulho ferido e cabeça erguida. Sempre soube o que queria e quem queria(principalmente).
Ele foi um deslize na vida dela. Ela viu a oportunidade de boa companhia e foi adiante.
Apaixonou-se, sim. Mas foi só. A paixão é uma doença que dura no máximo 6 meses. A doença dela durou 5.
Desta doença ela já foi curada, mas as feridas que as palavras dele deixaram, não. Estão abertas e sangram.
Mas há uma outra doença, que os especialistas definiriam como anorexia. Ela não concorda. Diz não sentir fome. Declara a alimentação como hábito totalmente dispensável. Os que a amam (não ele, claro) estão preocupados. Acham que ela só quer emagrecer, está preocupada com a estética. Mas não é verdade. Ela ama o seu corpo,está satisfeita. O que seria, então?

Ela tenta engolir um biscoito de chocolate. Neste exato momento o criador daquele mundo entra na sala e ao ver aquela cena interpreta: oh, uma mulher comilona!
Ela explica que não, que é a primeira coisa do dia que tenta engolir e já são mais de duas.
Ele se desculpa e diz que não entende as pessoas. Conta que teve insônia (é a primeira conversa que têm) e se pergunta o porquê disso. Ela diz não saber também e que nunca teve falta de sono, muito pelo contrário. Declara que não sabe porquê não quer comer e que a mãe deve ligar para perguntar se ela já comeu.
O criador diz que vai ajudar a mãe dela.
Ela agradece; diz que não. Está quase pedindo ajuda, perguntando a entrada para a cidade refugo, mas ele sai da sala e fecha a porta. Acabou.

Ela fica indagando...por que as pessoas têm insônia?

Enquanto isso a cidade refugo adormece.

3 comentários:

______Marcelo, mais um bandeirante______ disse...

Boa narrativa, amissíssima VR. Continue assim, trabalhando os recantos mais sutis da imaginação tão renegados durante o labor diário. Escrever é uma arte e a arte se escreve principalmente com o coração. E isto vc tem de sobra, querida!
Beijooooo

Mcl

juliana disse...

Existem pessoas que ouvem, outras que escutam; que observam e outras que vêem...muitos estão por perto, porém em sua grande parte ausentes da realidade... quem está apto a mudar a realidade? Quem está disposto a fazer diferente de todos que tem olhos mas não vêem, que tem ouvidos mas não podem ouvir. Quem deseja ser o que algém precisa?
Bjs. Ju.

V. disse...

Ju, sua última frase, ou seja, questionamento pode ser respondida.
Quem tem suporte para isso é o filósofo Lacan, que fala sobre desejo e relações que não existem, ou existem.
Passo referências a você, ok

http://i470.photobucket.com/albums/rr65/srmpp/lilas.jpg

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